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Angola.
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A Tragédia do Acidente de Aviação no Lobito

Domingo, 21 de Maio de 1972


Fokker F-27 Friendship 200 

Descrição técnica do acidente, 
segundo a Aviation Safety Network


Data:21.05.1972, 7:35 minsTipo:Fokker F-27 Friendship 200Operador:DTA Angola AirlinesNº Registo:CR-LLDC/n:10439Ano de Construção:1970Horas de Vôo:3828 hrsCiclos:3224 ciclesTripulação:5 vítimas / 6 a bordoPassageiros:17 vítimas / 19 a bordoTotal:22 vítimas / 25 a bordoLocal:Lobito; a 3km do aeroporto (Angola)Fase:Aproximação FinalNatureza:Transporte de PassageirosVôo:- Lobito (265)

Observações:
Despenhou-se no mar durante a aproximação ao aeroporto do Lobito em condições de visibilidade abaixo do mínimo.



Víctor Manuel N. Alves, um dos sobreviventes, 
enviou-me a seguinte descrição através da sua filha Celeste:

    ... Recebi o teu email, que gostei muito e para que possas responder ao Sr. António Horta, filho do meu grande amigo Francisco Horta, ferveroso Lobitanga dos tempos antigos, gente boa e amiga, a quem eu muito em especial devo o me ter socorrido quando me encontrava a boiar no mar em 21.05.72.

    Os sobreviventes eram: Vitor Manuel N. Alves (34 anos), Luís Duarte Teixeira Martins (36 anos), Arnaldo Alcino Mesquita (1) (Co-piloto) da DTA proprietária do avião FRIENDSHIP que se despenhou no mar cerca das 07:35 defronte do Cine Flamingo. Os sobreviventes foram localizados e recolhidos por um barco de recreio às 11:00 h nas imediações da ponta de restinga, isto é, cerca de 9 Kilómetros de distância do local onde se despenhou o avião.

    A queda deveu-se ao nevoeiro, cerca de 500 metros da praia em direcção à pista e quando foram recolhidos, depois de terem sido arrastados pela corrente, estavam a 9 Kms.

    A tripulação do avião era constituída pelo Comandante Hamilton FernandesArnaldo Mesquita (1) Co-piloto, José Trindade mecânico e hospedeira Ana Maria Reis. O corpo do Comandante nunca foi encontrado, foi o único que ficou sepultado no fundo do mar.

    Morreram 21 passageiros dos quais 13 foram devolvidos nesse dia pelo mar e os restantes só após alguns dias, com excepção do Comandante.

    Nos Jornais que guardo como recordação também consta a foto enviada e os nomes da tripulação do barco de recreio que são os seguintes: Moreira Pinto encarregado do posto náutico do Lobito Sports Clube, FRANCISCO HORTA Inspector do CFB, e Cândido Coelho(despachante oficial).

    O barco de recreio perdeu-se no nevoeiro e quis o destino que fossem na direcção onde se encontravam os três sobreviventes que foram, por eles, e em boa hora recolhidos com vida... 


Moreira Pinto, Francisco Horta e Cândido Coelho 


O local onde o avião deveria ter aterrado


Impacto no mar, a 500 m da costa e 3 Km do Aeroporto
Sobreviventes recolhidos no mar, a 9 km para Norte (3:30 h mais tarde).
O diagrama do acidente teve por base uma imagem da autoria de Dulce Magalhães, originalmente residente no site Virtual Lobito

(1) - Arnaldo Alcino Mesquita, o co-piloto sobrevivente do acidente do Lobito em 1972, veio a falecer como comandante do ATP da SATA que se despenhou numa montanha na ilha de São Jorge a 11 de Dezembro de 1999, falecendo todas as pessoas a bordo.
http://horta.0catch.com/lsc/friendship.html
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Lobito-Flamingos Estão em Vias de Extinção

O secretário-geral da Associação dos Defensores e Amigos do Ambiente (ADAMA), Joaquim Pedro Teixeira, disse ontem que no Lobito há uma “diminuição drástica” dos flamingos devido às obras no município.
Joaquim Teixeira falava por ocasião do Dia Mundial do Habitat, que hoje se assinala. Informou que a situação real dos flamingos no Lobito é crítica, tendo em conta a degradação permanente do seu habitat e a pouca atenção que é dada ao seu meio físico e geográfico. “O Lobito já não tem uma população de flamingos própria, a população é migratória”, disse, acrescentando que até à semana passada havia apenas 25 aves.
A situação foi provocada pelo fim da vala do Kassai e a penetração das águas do rio Catumbela. “Estamos a verificar uma cada vez maior degradação do ecossistema, das espécies vegetais, animais e aquáticas, o que é grave para a região”, disse Joaquim Pedro Teixeira.
Sem se opor à realização das obras, o ambientalista disse que é essencial proteger a vala do Kassai, que transporta as águas do rio Catumbela para os mangais da Caponte, “caso contrário o Lobito fica sem os flamingos”.
Joaquim Teixeira disse que a vala do Kassai é uma conduta do rio Catumbela que transporta água para os terrenos da açucareira, que são o pulmão do Lobito. Considerou ainda como factores negativos que contribuem para a destruição do meio ambiente no Lobito, a injecção desordenada de águas residuais e de esgotos no mangal, que prejudicam o seu desenvolvimento sustentável.
“Fizemos um diagnóstico da situação, para as autoridades elaborarem um projecto que permita passar de imediato à acção, e estamos a fazer contactos com as universidades Lusíada e Católica para encontrarmos mecanismos tendentes a salvaguardar o habitat dos flamingos”, disse Joaquim Teixeira.

Mangal do Lobito

O Mangal do Lobito está situado na zona central da cidade e foi um santuário de várias espécies de peixes e aves, fazendo a interligação das águas do mar com as do rio Catumbela, por intermédio da vala do Kassai.
O mangal, onde a água doce se junta às águas do mar, parâmetros que favoreciam a vida dos flamingos estão a desaparecer. Actualmente a água tem uma elevada percentagem de sal, o que faz com que baixe o seu grau de habitabilidade, devido à poluição de que o mangal está a ser alvo.
As populações adjacentes aos mangais, desprovidas de latrinas e com uma débil educação sanitária, defecam nas suas margens, deambulam nas águas contaminadas e estão a obstruir com lixo a passagem das águas pluviais e as do rio Catumbela.

Flamingo cor-de-rosa

A cidade do Lobito tem um clima tropical árido, influenciado pela corrente fria de Benguela e uma temperatura média anual de 24 graus centígrados. A espécie de flamingo do Lobito, conhecida por Phoenicopterus roses (Flamingo rosa), é uma das mais velhas e raras do mundo. Existem outras espécies de flamingos no Brasil, Quénia, Uganda, Tanzânia e outros países.
Os flamingos são aves pernaltas, de bico encurvado, que medem entre 90 e 150 cm de altura. A sua plumagem pode ser colorida em tons de rosa vivo. O seu habitat é em terrenos lodosos e alagados, tais como mangais, estuários, lagoas, lagos hipersalinos originários do mar, onde filtram a superfície das águas para se alimentarem de planton, pequenos invertebrados aquáticos como crustáceos e moluscos, para além de larvas de insectos. Reproduzem-se através de um ovo com incubação de 27 a 31 dias, tendo um período de vida de 40 anos.

Requalificação dos mangais

O administrador municipal do Lobito, Amaro Ricardo, assegurou que a zona dos mangais vai ser requalificada com uma calçada nas duas margens, o que lhe proporciona outro visual, mais nobreza e a garantia de sobrevivência dos flamingos.
O projecto tem o apoio da Sonamet, empresa responsável pela construção da refinaria do Lobito. A requalificação começa na Caponte, indo até à passagem de nível do Compão, com volta para a zona comercial.
O projecto tem igualmente o apoio da empresa de seguros AAA, que vai construir três hotéis naquela área. A população dos flamingos está ameaçada de extinção, por isso, sejam quais forem os projectos de requalificação, têm de ter em conta este problema. Outrora, o Lobito tinha mais de mil aves e hoje, os ambientalistas contam apenas 25. Daqui até ao desastre ambiental vai um pequeno passo.

Dia Mundial do Habitat

O habitat é o lugar onde vive uma comunidade de espécies que possui um conjunto de características ambientais, solo florestal, litoral, estuário, mangais, entre outros. Mudanças nas condições ambientais provocam normalmente alterações nas espécies que lá vivem.
As condições ambientais são alteradas com as alterações nos habitats quando se desenvolvem aldeias, cidades e indústrias. O habitat sofre alterações profundas e é possível que as espécies que lá vivem o abandonem ou sejam extintas.
Para a nossa própria sobrevivência e o equilíbrio ecológico do planeta, é importante assegurar que os habitats sejam conservados para proteger as espécies e assegurar a manutenção da biodiversidade.
A celebração do dia Mundial do Habitat serve para chamar a atenção das pessoas sobre a importância da manutenção do equilíbrio no mundo natural do qual fazemos parte.

http://www.angolabelazebelo.com/2009/10/lobito-flamingos-estao-em-vias-de-extincao/
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Lobito, Angola.
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Mosquitos e paludismo, Malanje, Angola.
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Canhoca, Angola.
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Malanje, Angola.
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Rio Cuanza, Angola.
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Malanje, Angola.
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Para a posteridade. Angola.
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"Os Kurikas Team Clube Huilano de Desportos Motorizados" 1975
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Pousada Duque de Bragança, Malanje, Angola.
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Isabel dos Santos, a mulher mais rica de Africa.
Africa richest woman. 
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A TRAJECTÓRIA POLÍTICA DE ÁLVARO HOLDEN ROBERTO, O PAI DO NACIONALISMO ANGOLANO

 

ÁLVARO HOLDEN ROBERTO, nasceu em Mbanza Kongo, ex-São Salvador, província do Zaire, aos 12 de Janeiro de 1923. É filho de Garcia Diasiwa Roberto e de Joana Helena Lala Nekaka. Álvaro Holden Roberto fez os seus estudos primários e secundários em Léopoldville e é cristão baptizado pela Igreja Baptista (Baptist Missionary Society), que chegou a Angola em 1878.

No quadro da sua formação política, Álvaro Holden Roberto frequentou tanto em Léopoldville como no Ghana, vários cursos de Ciências Políticas, incluindo um estágio político-diplomático na Representação Diplomática da República da Guiné Konakry nas Nações Unidas, em Nova York, de 1959 a 1960.

Mais tarde, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu a audição dos peticionários dos territórios ainda colonizados, Álvaro Holden Roberto foi muitas vezes ouvido como Peticionário sobre Angola na Comissão das Tutelas denominada 4ª Comissão. Cada vez que ele aparecia, a delegação portuguesa retirava-se da sala em sinal de protesto, posto que Portugal não aceitava que as suas colónias fossem consideradas como tal, mas como províncias ultramarinas tanto mais que aí reinava a paz, afirmaram eles.

Os acontecimentos de 4 de Janeiro, 4 de Fevereiro e sobretudo os de 15 de Março de 1961, destruíram a argumentação portuguesa que já não teve coragem para prosseguir com as suas elucubrações. 

Para melhor compreender a trajectória política de Álvaro Holden Roberto, deve-se recuar no tempo e no espaço.

Com efeito, ele é neto de MIGUEL NEKAKA (avô materno) um dos primeiros Evangelizadores angolanos, baptizado em 23 de Maio de 1889, que traduziu partes significativas da Bíblia de Inglês para o Kikongo e compôs numerosos hinos protestantes.

Miguel Nekaka era antes de tudo um patriota que defendia os direitos dos seus compatriotas, o que lhe valeu a hostilidade, a prisão e torturas por parte das autoridades coloniais portuguesas, mas graças à sua clarividência e resistência, conquistou o respeito e a estima do povo, dos missionários britânicos e de outros instalados nas actuais províncias do Uige e do Zaire.

Miguel Nekaka, que havia sido acusado falsamente de desempenhar um papel fundamental nos preparativos da Revolta dos Angolanos contra o poder colonial português, liderada por TULANTE BUTA (Tulante significa em Kikongo tenente, patente que Buta possuía no Exército Português no tempo da Monarquia em Portugal), guerra que durou de 1913 a 1915, foi duramente torturado pelas autoridades portuguesas. As injustiças de que foi vítima e as  torturas que  foram infligidas a Miguel Nekaka às quais sobreviveu, graças à sua robustez física, suscitaram nele um forte sentimento de  revolta e de vingança, que o levou a fazer o seguinte pronunciamento: UM DOS MEUS DESCENDENTES VINGAR-ME-Á!

Miguel Nekaka  faleceu em 1944.

Esse descendente mencionado no pronunciamento de Miguel Nekaka, não é senão ÁLVARO HOLDEN ROBERTO, seu neto, filho primogénito de sua filha JOANA LALA HELENA NEKAKA.

Em 1940, Dom Pedro VII, Rei do Kongo visitou Lisboa para participar na exposição do “Mundo Português”, para comemorar o oitavo centenário da proclamação do Reino de Portugal (1140), e o terceiro centenário da restauração da independência da anexação espanhola (1640). Enquanto esteve em Lisboa, ele pediu mais escolas para o seu povo e nomeou como seu secretário Manuel Sidney Barros Nekaka, filho de Miguel Nekaka, que estava em Lisboa num programa de especialização de dez meses num hospital.

De acordo com Manuel Sidney Barros Nekaka, os oficiais do governo português rejeitaram o pedido, argumentando que estavam seguros de que as vantagens educacionais no seu reino eram adequadas. Contudo, estavam predispostos para mais algumas escolas se o  rei estivesse com vontade de realizar novos acordos com Portugal. Dom Pedro VII receando que tais acordos conduzissem a exigências para mais contratos de “trabalhadores”, a exemplo dos contratados para São Tomé,  recusou envolver-se em novos compromissos.

Manuel Sidney Barros Nekaka nasceu em 28 de Julho de 1914, em S. Salvador, enquanto  seu pai estava ainda na prisão. Ele foi para a escola da missão baptista e depois trabalhou no hospital de B.M.S. de 1934 a 1937, onde se tornou um enfermeiro eficiente. Em 1937, continuou com uma formação posterior como assistente médico no Instituto Curry, na missão Congregacional Americana, em Dondi, perto de Nova Lisboa (Huambo). Foi dali que ele partiu para Lisboa em 1940 para trabalhos práticos. De volta a S. Salvador, em 1941, continuou a trabalhar no hospital da B.M.S. simultâneamente com a sua função de conselheiro do rei D. Pedro VII.

Dom Pedro VII, frustrado com a recusa portuguesa em providenciar escolas, pediu a Manuel Sidney Barros Nekaka, que partiu de S. Salvador em Março de 1942 para trabalhar em Leopoldville, para que tentasse mobilizar a assistência da diáspora angolana no Congo Belga. Durante os anos 50, Manuel Sidney Barros Nekaka, a quem mais tarde se veio juntar o seu sobrinho Holden Roberto, pediu apoio aos exilados angolanos para a formação de um partido político mas teve pouca adesão. A proibição Belga quanto a organizações políticas, até certo ponto, inibiu as suas actividades, mas eles conseguiram estabelecer contactos com o grupo dos exilados angolanos de Matadi, o que finalmente levou à formação do primeiro partido político angolano, em 7 de Julho de 1954, simultâneamente em Léopoldville e na cidade portuária congolesa de Matadi, a UNIÃO DOS POVOS DO NORTE DE ANGOLA – UPNA, que incluía pessoas de várias origens do Norte geográfico de Angola, animados pelos Senhores Pinnock Eduardo e Borralho Lulendo. A UPNA foi progenitora da histórica e gloriosa UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA (UPA).

Convém sublinhar que a UPNA teve uma existência efémera conquanto alguns anos depois, precisamente em 7 de Dezembro de 1958, foi substituída pela UPA.

A situação geográfica de Matadi (porto fluvial situado num dos maiores rios de África, o Zaire), privilegiou a expansão de material de propaganda da UPA no interior de Angola, através dos marinheiros negro-americanos que frequentavam os militantes da UPA.

Um desses marinheiros negro-americanos, chamado George Barnett, que conhecia perfeitamente Lobito e as pessoas que viriam a formar a célula da UPA naquela cidade, era o portador do dito material que foi sendo recepcionado pelas referidas pessoas que são Jorge Valentim (ex-Ministro do GURN por parte da UNITA), Moisés Kayaya, Tadeu, Adão Kapilango, Lourenço (pai do actual Vice-Presidente da Assembleia Nacional, João Lourenço) e outros.

Assim, nascia na cidade de Lobito, a primeira célula clandestina da UPA em Angola.

O Primeiro Presidente eleito da UPA foi Álvaro Holden Roberto.

Do seu avô, Álvaro Holden Roberto herdou a dignidade e a perseverança; do tio a paciência, o tacto diplomático, o gosto pelas línguas e a eloquência. Com efeito, Manuel Sidney Barros Nekaka falava fluentemente português, francês e inglês. Holden Roberto seguiu-lhe a peugada.

 

A PARTIDA PARA O GHANA DE NKWAME NKRUMA

A preparação da viagem ao Ghana iniciou num contacto que teve lugar em Leopoldville, em Março de 1957, entre o futuro Presidente da Tanzânia Professor Dr. Julius Nyerere, de viagem para Accra, onde ia assistir a proclamação da Independência do Ghana e o Senhor Manuel Sidney Barros Nekaka, acompanhado por Álvaro Holden Roberto, no Hotel Regina.

Depois de uma análise da situação que prevalecia em Angola, o Presidente Nyerere, que já estava informado pelo Rev. George Houser, através dos diferentes contactos com Álvaro Holden Roberto, sugeriu que o problema deveria ser submetido à Conferência que teria lugar em Accra, Ghana, visto que a natureza do colonialismo português não era bem conhecida no mundo. Aliás o mesmo prometeu  interceder junto do Presidente Nkrumah a favor da participação de um delegado da UPA, na Primeira Conferência dos Povos Africanos.

A pessoa escolhida para liderar esse titânico trabalho político foi Álvaro Holden Roberto que, na altura, já mantinha uma correspondência seguida com os líderes da Fellowship of Reconciliation e da  American Committee on Africa duas ONGs que funcionavam junto das Nações Unidas em Nova York, onde figuravam como membros de honra personalidades como Reverendo Metodista George Houser, o Professor Universitário Dr. John Marcum, o Bispo Homer Jack, da Igreja Unida da América e Canadá. Este último era um dos grandes activistas contra a segregação racial nos Estados Unidos, durante muitos anos e foi também a pessoa que introduziu Álvaro Holden Roberto junto do Presidente John Kennedy, (então Senador), em Setembro de 1959.

Todos os que foram citados, constituiram um suporte de grande valia para o início dos trabalhos que Álvaro Holden Roberto desempenhou nos primeiros dias.

A razão que levou Álvaro Holden Roberto a encontrar-se com o Senador Kennedy, foi o discurso pronunciado por este, em 1957, no Senado americano, sobre a guerra argelina, durante o qual apoiou o direito do povo argelino à auto-determinação. Depois desse encontro,  Álvaro Holden Roberto ficou mais encorajado.

Assim, em 5 de Setembro de 1958, sem nenhum documento legal de viagem, salvo um bilhete de identidade como oriundo de Cabinda, adquirido em Brazzaville, Álvaro Holden Roberto atravessou o rio Zaire, proveniente de Léopoldville, em direcção ao Congo Brazzaville onde as células da UPA  encarregaram-se do seu acolhimento.

De Brazzaville, Álvaro Holden Roberto parte para Ponta Negra onde embarca clandestinamente num navio francês, o  Général Mangin, que rumava para os Camarôes, na altura ainda colónia francesa em guerra.

Foi uma história interessante, porquanto Álvaro Holden Roberto não possuía documentos legais que lhe permitissem deslocar-se ao estrangeiro. Foi, pois, graças à sua fé cristã, que ele passou pelos oficiais de imigração em Ponta Negra, partindo assim para os Camarões, donde seguiu para Nigéria a caminho do Ghana de Nkwame Nkrumah.

É, precisamente nos Camarões onde começa a verdadeira odisseia de Álvaro Holden Roberto, visto que era preciso encontrar guias de confiança capazes de o levarem até a próxima etapa que era a Nigéria.

Sempre acompanhado pelos anjos do Senhor em quem confiava profundamente, Álvaro Holden Roberto encontra-se com elementos da União das Populações dos Camarões (UPC) de Um Yobé e Félix Moumié, que conduziam uma luta de guerrilha contra o poder colonial francês. Com a recomendação do  Maurice  Kwam, natural dos Camarões e adjunto do Abade Fulbert Youlou, então Presidente da Câmara Municipal de Brazzaville e mais tarde Presidente da República do Congo Brazzaville, junto desses emissários camaroneses, obteve-se a tão esperada ajuda na travessia da fronteira  a pé. Foi um grande risco devido as patrulhas militares caninas conjuntas ao longo da fronteira entre os dois Camarões, franceses e britânicos, antes da sua reunificação depois da independência.

O líder camaronês Um Yobé foi abatido pelas tropas francesas precisamente no momento em que Álvaro Holden Roberto se encontrava perto dos seus guerrilheiros. Esse foi um momento de extrema preocupação pela sua vida, mas, graças a Deus, tudo passou bem.     

Solidarizando-se com Álvaro Holden Roberto e com a União das Populações de Angola, que também conduzia uma luta política contra o poder colonial português, os emissários da União das Populações dos Camarões, prontificaram-se a conduzi-lo até Kumba e Ntiko (Camarôes britânicos) a caminho da Nigéria.

Informado da presença de Álvaro Holden Roberto  na Nigéria o Presidente Nkwame Nkrumah, deu instrucções ao seu Alto Comissário do Ghana  na Nigéria, título que equivale nos países da Commonwealth a Embaixador, recentemente instalado, contactou o Chefe Autóctone da Polícia de Emigração no Aeroporto de Lagos (Nigéria), o qual facilitou a entrada de Álvaro Holden Roberto no avião com destino ao Ghana sem ter sido submetido a quaisquer formalidades  aeroportuárias.

A viagem de Ponta Negra (Congo Brazzaville) à Accra (Ghana) durou 15 dias, ou seja,  de 12 de Setembro, data do embarque a bordo do General Mangin a 27 de Setembro do mesmo ano.

Durante 3 meses, Álvaro Holden Roberto esperou em Accra pela Conferência, trabalhando no Bureau of African Affairs, dirigido por George Padmore, Conselheiro Político do Presidente Nkwame Nkrumah, sob a chefia de James Markham, Secção Austral.  

Assim, Álvaro Holden Roberto teve a possibilidade de participar na primeira Conferência dos Povos Africanos que se realizou de 6 a 13 de Dezembro de 1958 em Accra, capital da jovem República do Ghana, na qualidade de enviado da União das Populações de Angola, onde conheceu  Tom Mboya do Quénia, Kenneth Kaunda da Zâmbia, Joshua Nkomo do Zimbabwe, Frantz Fanon do Governo provisório da Argélia, Kamuzu Banda do Nyassaland, hoje Malawi e outros líderes africanos.

Pela primeira vez, a África e o resto do mundo ouvem falar da vontade do povo angolano de ser livre e independente e, são informados dos graves atropelos aos direitos humanos e dos povos, cometidos pelos colonos portugueses, tais como os trabalhos forçados, a expoliação das terras aos autóctones, as palmatórias e os desterros.

Estava assim lançada a mensagem da UPA que iria mobilizar consideráveis apoios políticos e diplomáticos não só de África mas também de outras partes do Mundo, amantes da justiça e da liberdade.

Durante os debates constatou-se uma certa divergência entre os conferencistas sobre a via a adoptar, na luta de libertação, pacífica ou violenta. Dado que a revolta dos Mau Mau do Quénia que foi controlada pelas autoridades britânicas com a prisão dos principais líderes, a cabeça dos quais se encontrava o Patriarca Jomo Kenyata, e sobretudo a guerra dos argelinos contra os colonos franceses em curso, estes factores dificultavam a adopção da via pacífica, porque condenariam automaticamente aqueles que pegaram ou viriam a pegar em armas para se libertarem.

A profética intervenção de Frantz Fanon que defendeu a legítima violência ou seja a utilização da violência em legítima defesa, tendo baseado a sua argumentação no caso das colónias portuguesas, com destaque para Angola, cujos territórios constituíam para os portugueses colónias de povoamento e de exploração, bem como o caso da Argélia que se encontrava nas mesmas condições, influenciou a Conferência à adoptar uma fórmula denominada Positive Action (Acção Positiva), que permitia a cada povo de escolher a via que mais lhe convinha para se libertar.

No fim da primeira Conferência dos Povos Africanos, Álvaro Holden Roberto, com o pseudónimo de José Gilmore, foi eleito  Membro do Steering Committee (Comité Director), título que lhe foi reiterado na segunda Conferência de Tunis, apesar das manobras de corredor dos elementos do Movimento Anticolonial (MAC).

Logo que o governo colonial português tomou conhecimento da mensagem, iniciou contactos com o governo colonial belga e como consequência disso, o pai de Álvaro Holden Roberto e o seu tio Manuel Sidney Barros Nekaka, foram interpelados pela polícia colonial belga, sem no entanto terem sido molestados ou encarcerados. A sua defesa era que Álvaro Holden Roberto era maior e não tinha que se justificar junto dos seus familiares sobre o seu destino ou sobre os seus actos.

O Lumumba que fazia parte do Conselho Executivo do Governo de Transição do Congo Belga, foi o grande defensor dos parentes de Álvaro Holden Roberto.

Logo que tais interpelações foram conhecidas, vários amigos de Álvaro Holden Roberto aconselharam-no a não regressar a Léopoldville, actualmente Kinshasa. Um deles era Faustin Nzeza, com o qual jogava na selecção congolesa de futebol em Léopoldville, e que trabalhava no gabinete do último Governador Geral do Congo Belga, Senhor Henri Cornelis.  

Álvaro Holden Roberto tinha chegado à Accra antes de Patrice Lumumba e ajudou a organizar a vinda deste último com o qual tinha uma profunda amizade.

Foi durante esta oportunidade que ambos encontraram o Senhor Fanon (que nasceu em Martinique, Antilhas, tendo se naturalizado argelino e estava a participar na luta de libertação da Argélia) o qual estava muito interessado no problema congolês e angolano. É de salientar que os seus antepassados eram oriundos da região dos Dembos (Norte de Angola), revelação que o mesmo fez à Álvaro Holden Roberto algumas horas antes da sua morte, a 6 de Dezembro de 1961, no Hospital de Bethesda, perto de Washington (Estados Unidos da América), na sequência de uma leucemia.

Este irmão deixou-nos um importantíssimo legado histórico de várias obras de carácter revolucionário sobre o terceiro mundo, destacando-se a sua última obra intitulada ‘os Condenados da Terra’, publicada em 1961 alguns dias antes da sua morte.

Foi assim que mais tarde, Frantz Fanon se dedicou ao problema angolano e envolveu-se directamente no levantamento do 15 de Março de 1961, porque tendo ele pedido a Lúcio Lara do MAC, que ele já conhecia, 11 elementos a fim de serem treinados na guerrilha e, este último não tendo sido capaz de os fornecer, alegando que todos os seus homens estavam detidos, mas Frantz Fanon que não era ingénuo, deduziu logo que Holden era o homem das massas em Angola (vide Um Amplo Movimento, página 238-239, de Lúcio Lara).

Com efeito, durante a sua curta estadia em Kinshasa em Agosto de 1960, os Combatentes Pedro Vida, Manuel Cosmo, Manuel Lelo, Pedro Sadi, Manuel Bernardo, Tusamba Kwa Nzambi, Pedro Massumu e outros,  tiveram a oportunidade de encontrar e de ouvir de Fanon os ensinamentos e encorajamentos que dinamizaram o seu espírito  e a sua combatividade  para o 15 de Março de 1961. Os pioneiros Pinnock Eduardo, Borralho Lulendo, também encontraram-no.

O primeiro chefe das operações de guerrilha da UPA o alferes João Baptista Traves Pereira, natural do Cunene, fazia parte do grupo.

Dotado de uma forte personalidade e particularmente persuasivo, Fanon não deixava ninguém indiferente. É assim que o encontro foi histórico e decisivo. Mais tarde, a UPA beneficiando da ajuda e influência de Fanon e de seus amigos da FLN, como Omar Oussedik e do próprio Chefe do Estado Maior da FLN, o Coronel Boumedienne, mais tarde Presidente da República da Argélia, conseguiu enviar na principal base fronteiriça de Ghardemaou, na Tunísia, cerca de 20 guerrilheiros para serem formados. Todos eram soldados angolanos desertores do exército colonial português que tentava em vão defender Goa, Damão e Dio, na Índia, donde tinham sido repatriados depois de derrotados e feitos prisioneiros.

Álvaro Holden Roberto permaneceu por breves períodos na base de Ghardemaou. Por conseguinte, a criação da Base de Kinkuzu da FNLA, na República do Zaire (actual RDC) foi uma inspiração da dita base.

É de recordar que, em 1959 Álvaro Holden Roberto viaja para os Estados Unidos da América via Ghana como membro da delegação da Guiné Conakry, para nas Nações Unidas ser Peticionário junto do Conselho de Tutela da ONU (4ª Comissão) para denunciar o colonialismo que recusava obstinadamente descolonizar África e sobretudo Angola. A 14ª sessão da Assembleia Geral da ONU critica e condena a política ultramarina portuguesa e faz uma petição a Portugal no sentido de dar a conhecer a evolução das medidas já tomadas e previstas no artigo 73ª da Carta das Nações Unidas,  tendo em vista a autodeterminação dos territórios africanos ainda sob a sua administração.

No fim das sessões, Álvaro Holden Roberto cruzava-se as vezes nos corredores das Nações Unidas, com os representantes de Portugal, nomeadamente o Dr. Franco Nogueira, Ministro dos Negócios Estrangeiros e o Dr. Vasco Garin, Embaixador na ONU. A imprensa portuguesa aborrecida com as declarações de Holden Roberto, em condenar o trabalho forçado nas colónias portuguesas particularmente em Angola, tinha lhe mandado tomar um ASPRO para acalmar a dor de cabeça que Holden Roberto supostamente tinha. ASPRO significava aliança entre a África do Sul (AS), Portugal (P) e Rodésia (RO). Era uma aliança militar, chamada na altura Impie Alliance (Aliança Ímpia).

Depois da  Segunda Conferência dos Povos Africanos que se realizou de 25 a 31 de Janeiro de 1960, o Presidente Bourguiba da Tunísia, onde teve lugar essa Conferência, numa recepção aos Congressistas encorajou-os a pegarem em armas, se necessário fosse, porque todos os meios a utilizar e todas as formas a empregar eram válidas para que os Povos se libertassem da escravatura. O que contava era o resultado. Nesse encontro com Bourguiba, estavam presentes os membros do MAC – Movimento Anti-Colonial ( o MPLA ainda não existia), nomeadamente Lúcio Lara, Viriato da Cruz, angolanos, Hugo de Menezes, Santomense, o guineense Amílcar Cabral e Luís Araújo de Cabo Verde.

A um certo momento, Bourguiba tinha  perguntado donde vínham os seus convidados e à resposta do grupo constituído pelas pessoas supracitadas e por Holden Roberto de que eram originários de Angola, teve a reacção seguinte, citação: «Vocês são colonizados por Portugueses? Então com esses é preciso mesmo pegar em armas porque, tal como eu, nas suas veias corre sangue árabe que os torna teimosos» fim de citação.

Algumas semanas depois, Álvaro Holden Roberto regressou à Tunísia para se encontrar com Bourguiba a fim de lhe pedir armas. E esse último aceitou o seu pedido, tendo declarado que, embora ele fosse pacifista, tratando-se da liberdade, a mecha dava para o cebo. O transporte dessas armas para Kinshasa, foi facilitado pelos aviões militares tunisinos que abasteciam o Corpo Expedicinário da Tunísia, incorporado nos Capacetes Azuis, sob o comando do Coronel Tunisino Lasmar Bouzayen. Seria bom de lembrar que o Congo, logo após a proclamação da sua independência atravessou um período de turbulências político-sociais que necessitaram da presença de uma força internacional de intervenção. O maior lote do armamento era automático e necessitou assim de um treinamento dos elementos que o iriam manejar. A vasta cave da Chancelaria da Tunísia em Leopoldville, serviu de local de treino, protegido por dezenas de sacos de areia. É de salientar, que a ajuda da Tunísia sob a liderança de Bourguiba, na guerra de libertação nacional angolana, foi capital, tanto no apoio logístico como na formação de quadros civis e militares.

Em meados de 1960, Álvaro Holden Roberto foi eleito Presidente da UPA. Nascia assim o líder clarividente, perseverante e determinado da União das Populações de Angola.

Em Dezembro de 1960, os países africanos, asiáticos e da Europa do leste, patrocinaram uma resolução preconizando o fim do colonialismo.

Depois de vários contactos nos corredores das Nações Unidas, a ideia foi corroborada e apoiada pela maioria das delegações, incluindo os Estados Unidos, cujos membros, nos corredores diziam que os Estados Unidos tendo sido colonizados, iriam apoiar esta resolução.

Aconteceu que, o Primeiro Ministro britânico Mac Millan e o General de Gaulle, Presidente da França telefonaram ao General Eisenhower, Presidente dos Estados Unidos, dizendo que encontravam-se muito embaraçados pelo projecto de resolução, e que iriam votar contra porque não tinham ainda uma solução pelos casos da Rodésia do Sul e da Argélia onde havia convulsões e guerra.

Perante a situação embaraçosa dos seus mais próximos aliados, a delegação americana sob instruções da Casa Branca absteve-se. Também certos países amigos da Inglaterra e da França votaram contra ou abstiveram-se.

Quando a resolução foi votada, ela passou maioritariamente, sob frenéticos aplausos.

Foi assim que houve uma cena humorística entre os dois chefes das delegações americana e soviética. Na delegação americana havia uma cantora negra chamada Amália Jackson, que saltou de alegria devido a condenação esmagadora do colonialismo. O chefe da delegação soviética, o Embaixador Zorine, observou e levantou-se da sua bancada, foi zombar do seu homólogo americano, dizendo: Citação: “Colega, não sabíamos que afinal vocês tinham rebeldes na vossa bancada. Viu o que aconteceu depois do voto?” Fim de citação.

Ao Embaixador americano de responder: Citação: “sim, sabemos que temos rebeldes nas nossas fileiras, que possam se exprimir abertamente, isso nos orgulha. Mas convosco, não teria acontecido, porque ela seria degolada”. Fim de citação.

Com esta resolução deu-se o toque da derrota do colonialismo, visto que os países colonialistas inveterados, tais como Portugal estavam logo no banco dos réus, até as independências.

Meses depois, exactamente em 15 de Março de 1961, a UPA sob a liderança de Álvaro Holden Roberto, inicia a luta armada de Libertação Nacional que culminaria com a assinatura do Acordo da Independência celebrado entre os três Movimentos de Libertação, a FNLA, o MPLA e a UNITA, por um lado e Portugal por outro lado, em 15 de Janeiro de 1975, em Alvor, Portugal. A Cimeira de Alvor decorreu de 10 a 15 de Janeiro de 1975, em Alvor, Portugal, no Hotel da Penina. O acordo postulou que a independência deveria ocorrer em 11 de Novembro de 1975, data proposta pela FNLA.

O Acordo de Alvor foi uma obra elaborada unicamente pela FNLA. Os principais actores e obreiros desse acordo forjado durante os 14 anos da luta foram os irmãos, Johnny Eduardo, Mateus Neto, Paulo Tuba, Holden Roberto, Samuel Abrigada, Ngola Kabangu, Hendrick Vaal Neto e Demba Resende Diop e, foi posteriormente adoptado por todos os signatários, a saber o MPLA, a UNITA, a FNLA (autora) e Portugal.

A única contribuição do MPLA, feita pelo Dr. Agostinho Neto, foi a introdução do sistena rotativo de governação transitória do Colégio Presidencial.

Durante a guerra de libertação nacional e atendendo às exigências conjunturais, foi formada em 27 de Março de 1962, a FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA, FNLA, resultado da fusão da UPA e do PDA (Partido Democrático Angolano).

A presidência da FNLA foi assumida por Álvaro Holden Roberto, tendo sido reeleito em Março de 1976 pelo 1º Congresso  realizado na República do Zaire, em Kinshasa e pela Conferência Nacional que teve lugar de 27 a 31 de Julho de 1992 em Luanda, e finalmente pelo Congresso da Unidade e da Esperança realizado de 15 a 18 de Maio de 2000 em Luanda.

Em 5 de Abril de 1962 com a formação do Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE), Álvaro Holden Roberto torna-se no Primeiro Ministro do primeiro Governo de Angola no exílio, que em Agosto do mesmo ano foi reconhecido pela OUA e por 32 países africanos e 2 asiáticos.

Em 16 de Agosto de 1962, com a criação na histórica Base de Kinkuzu, na República do Zaire (actual RDC), do glorioso Exército de Libertação Nacional de Angola –ELNA-, Álvaro Holden Roberto torna-se Comandante em Chefe e o Comandante José Kalundungo, o primeiro Chefe do Estado Maior do ELNA.

Em 1964, Che-Guevara contacta Holden Roberto, com vista a apoiar com homens a guerra de guerrilha movida pela FNLA. Holden Roberto nega dizendo-lhe que a luta levada a cabo pela FNLA, era uma luta de libertação nacional e que os seus combatentes eram nacionalistas e não internacionalistas, porque esses últimos poderiam mais tarde  criar problemas ao seu movimento e ao povo, alusão feita aos corpos expedicionários que esvaziam do território que ajudam, os materiais industriais e outros, transferindo-os para os seus respectivos países, tais como as açucareiras, veículos e outras fábricas extremamente necessárias à produção local e poderiam até desvirtuar a essência patriótica angolana.

Em 10 de Outubro de 1974, Álvaro Holden Roberto encabeça a delegação da FNLA nas conversações com a delegação do Governo Português, em Kinshasa, com vista a pôr fim às hostilidades em Angola, entre a FNLA e o exército português. O acordo de suspensão das hostilidades foi assinado no iate do Presidente Mobutu Sese Seko do Zaire, entre Álvaro Holden Roberto e o  General Fontes Pereira de Melo, Chefe da Casa Militar do Presidente da República Portuguesa, o General Francisco da Costa Gomes, acompanhado por uma delegação de 8 pessoas, algumas vindas de Luanda, como é o caso de Comodoro Leonel Cardoso, posteriormente último Alto Comissário em Angola, General  Gonçalves Ribeiro, Major Pedro Pezarat Correia, Major Cabarrão, Chefe do SIM em Angola.

Uma semana após o fim da Cimeira de Alvor, Álvaro Holden Roberto na qualidade de Comandante-em-Chefe do ELNA, apresentou e libertou os últimos 23 militares portugueses capturados em combate durante a luta de libertação nacional. Esta cerimónia decorreu na Base de Kinkuzu, na República do Zaire (actual RDC), na presença das autoridades zairenses, do Corpo Diplomático acreditado naquele país e do Delegado da Cruz Vermelha Internacional.

No quadro do combate pela paz e realização da Reconciliação Nacional, Álvaro Holden Roberto, endereçou  de Paris uma carta, em 4 de Dezembro de 1987, durante o seu exílio, ao Presidente José Eduardo dos Santos e ao líder da Unita, Jonas Malheiro Savimbi, que se tornou célebre e histórica, porquanto ela serviu de base para a elaboração do primeiro plano de paz para Angola, concebido por um líder angolano.

Esse plano de paz foi divulgado em Janeiro de 1990 em Paris durante uma conferência de imprensa. Foi precisamente esse plano de paz que serviu de base para a elaboração dos Acordos de Bicesse, cujas cópias foram enviadas ao Presidente José Eduardo dos Santos, ao líder da Unita, Jonas Malheiro Savimbi, aos Governos de Portugal, dos Estados Unidos e da Rússia.

Desde então, Álvaro Holden Roberto, tem se dedicado no combate pela paz e pela realização da Reconciliação Nacional, preconizando a via do diálogo nacional para a solução do imbróglio angolano.

Em 22 de Outubro de 2004, Álvaro Holden Roberto foi reconduzido, à presidência,  pelo Congresso da Reconciliação da FNLA, realizado de 18 a 22 de Outubro de 2004, nas instalações da Filda em Luanda.

Presentemente, Álvaro Holden Roberto está a finalizar a redacção das suas memórias que todos esperam, sejam um valioso contributo para a história contemporânea de Angola.

CENTRO DE INVESTIGAÇÃO
 HISTÓRICA  DA  F.N.L.A.

http://www.fnla.net/hra.html

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Em baixo vamos ver aquilo que a FNLA chama de início da luta armada

*hoje poderia ser um crime contra a humanidade

"Quando das manifestações de Novembro de 1960, em Luanda, um dos nativos que usou da palavra para manifestar o seu repúdio às mentirosas campanhas internacionais e a sua determinação de continuar português até à morte, foi o soba de Cassoneca. Discurso sem floreados literários ou filosóficos, mas de verdadeiro significado patriótico e espontaneidade. Sete meses mais tarde esse mesmo soba era barbaramente assassinado, com requintes de selvajaria, pelos terroristas que assolavam a região de Icolo e Bengo".

  
À esquerda uma casa comercial pilhada e incendiada e à direita a casa do soba de Cassoneca (fotos Manuel Graça)


Soba de Cassoneca morto à catanada e esventrado pelos assassinos da UPA (foto Manuel Graça).

"Voltamos aos princípios do terrorismo (...) Que haverá, por exemplo, a acrescentar ao depoimento daquele pai que fora espancado com as pernas do próprio filho morto a golpes de catanada? Ou aquele marido que, amarrado a uma árvore, foi obrigado a ver a sua mulher ser violada por mais de duas dezenas de assassinos, em toda a sua fúria animal? Ou ainda a inacreditável barbaridade com que foram mortos europeus, perto de Maquela, serrados vivos numa serra mecânica? Estes, entre milhares de outros casos, constituiam a coroa de louros do senhor Holden Roberto, o sanguinário chefe da UPA, a quem os areópagos internacionais rendiam homenagem e abriram as portas para que contasse ao mundo como fazia o que eles chamavam de "guerra da libertação".

Enquanto nas matas de Angola morriam milhares de inocentes aos golpes traiçoeiros das catanas dos seus capangas, Holden Roberto passeava em carro americano de luxo, com "chauffeurs" às ordens, em Leopoldvile ou qualquer outra cidade apelidando-se a si mesmo de salvador das gentes de Angola. E a corja de assassinos continua a satisfazer os seus instintos sanguinários e selvagens, em nome da Paz de da Liberdade!"

Angola 1960/1965, Manuel Graça.


Holden Roberto 
(foto Jornal P. Angola, 1975)


Holden Roberto em 2005.
(foto Net)

Mas, quem é Holden Roberto?

HoldenRoberto.

"(1924- ) Dirigente nacionalista angolano, com um percurso atribulado no seio dos movimentos anticoloniais. Iniciou a sua actividade em 1954, com a fundação da União dos Povos do Norte de Angola (UPNA), uma organização de povos bacongos, mais tarde designada UPA para lhe retirar o carácter tribal. Em 1960, assinou um acordo com o MPLA, que rompe passados seis meses, decidindo assumir por si só a liderança da luta contra o colonialismo português. A sua grande acção teve início no dia 15 de Março, no Norte de Angola, com o assalto às fazendas do café e a morte indiscriminada de colonos brancos e trabalhadores negros bailundos. A brutalidade e a ausência de finalidade desta acção, em que os objectivos políticos e militares nunca foram esclarecidos, mancharam toda a subsequente luta anticolonial e forneceram ao regime português as imagens de horror e barbárie que lhe permitiram apelar à mobilização para a guerra. Em 1962, criou a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), da qual se tornou presidente. Esta organização constituiu o Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE), onde Jonas Savimbi surge como ministro dos Negócios Estrangeiros. Holden Roberto manteve sempre uma estreita ligação com Mobutu, presidente do Zaire, país em que se instalaram as bases do movimento. Embora tenha recebido armas dos países de Leste, a sua ligação privilegiada foi sempre com os EUA, que lhe pagam uma avença anual e fornecem conselho técnico, inclusive com a presença de agentes nas suas bases".

http://www.uc.pt/cd25a/aedp_po/trabalhos/colonial/protags/protags.htm

"A 13 de Abril, o Úcua, a pouco mais de uma centena de quilómetros da capital, sofre um assalto de terrível ferocidade. Mais vidas sacrificadas a uma sanha sanguinária, violenta de ódio habilmente cultivado, como se essa fosse a recompensa devida a muitos colonos que dedicaram uma vida inteira a melhorar a situação dos nativos (...). Numa das suas habituais visitas à Fazenda Luzia, uns dias antes dos acontecimentos em Luanda, um velho servidor seu avisara-o de que "não dormisse despido pois que nas sanzalas andava tudo muito mal, mas que nada dissesse para que os companheiros o não matassem". Acácio Cunha não dera ouvidos ao velho pois, como os demais, não acreditava que a paz e a franca convivência de anos fossem destruídas sem qualquer razão. No entanto, agora que o inacreditável aconteceu, graças à diligência daquele colono, as autoridades empreenderam uma rusga à região. Uns 640 bailundos, armados de catanas e paus, trabalhadores da fazenda, colaboraram na rusga, auxiliando o pelotão militar e os 20 civis da fazenda, armados. Dois dias depois da tropa regressar a Caxito, terminada a rusga, uma horda de bandidos assaltava o Úcua (...)".

  
Na foto da esquerda um bailundo morto à catanada, degolado e queimado e na seguinte mais dois bailundos queimados (fotos Horacio Caio.


Bailundo morto à catanada e queimado (foto Horácio Caio )

"Os ataques sucediam-se, num ímpeto feroz e assustador. Chegam noticias de actos de autêntica heroicidade e bravura, praticados pelos colonos, quase sem armas e com a resistência a esgotar-se, mas com a determinante e indomável vontade de não arredar pé, nem oferecer tréguas ao inimigo. Heróis anónimos que a História não registará, mas que estavam a escrever com o seu sangue, com a sua luta desigual, as páginas da própria História de um país de tradições invejáveis.

A luta titânica do Mucaba, acompanhada minuto a minuto nos receptores, os dramáticos apelos dos defensores da pequena povoação que, entrincheirados na igreja, já sem munições e com o emissor-receptor semi-avariado, aguentam ataques consecutivos há três dias, enchiam de lágrimas os olhos de todos os portugueses. Desesperadas tentativas para lhes levar munições, por parte da aviação, eram goradas pelo espesso nevoeiro que cobria completamente a região. Na capital, enxugando as lágrimas e roendo as unhas, vivia-se a defesa de Mucaba. Agora as munições estavam no fim, segundo a última comunicação recebida pelo P-19 e o aparelho havia silenciado. Teriam morrido todos? A sua última mensagem fora aterradora: "acabaram-se as munições". "Temos pouco mais de uma bala para cada um. Vamos morrer, mas morreremos portugueses!". O tenente-coronel Neto, da Força aérea, ia tentar mais uma vez lançar-lhe munições (...).

- Estamos mesmo por cima deles – disse o tenente-coronel Neto, ao mesmo tempo que manejava o "manche" para a esquerda, fazendo o avião dar uma volta apertada (...). O nevoeiro cerrado não deixava ver absolutamente nada para terra. A região era acidentada e seria arriscadíssimo fazer uma "perfuração" naquelas condições (...). Ali o nevoeiro oferecia uma pequena abertura. Uma nesga, por onde mal caberia um dos motores do avião. O tenente-coronel Neto cerrou os dentes e benzeu-se.

- Vamos tentar. Seja o que Deus quiser!

Num ápice, empurrou o "manche" para diante e o PV2 "meteu o nariz para baixo"começando a descida vertiginosa. O jornalista não tirava os olhos do pára-brisas do avião. Aqueles segundos pareceram uma eternidade. O piloto sorriu levemente. Os olhos de todos iluminaram-se. Ali estava, bem debaixo deles, a igreja de Mucaba, baluarte da resistência de um punhado de heróis, símbolo de um povo consciente da sua missão no mundo conturbado e cego. Ali estavam eles!

O largo fronteiro à igreja estava cheio de terroristas que se preparavam para novo assalto, assim como a rua principal. As metralhadoras no nariz do PV2 entraram em acção vomitando fogo. O avião, em voo picado "varreu" duas ou três vezes o local, semeando a morte entre os assaltantes. Muitos tentaram ainda a fuga, mas poucos o conseguiram. Em breve centenas de cadáveres se juntaram aos que lá estavam, vítimas das balas certeiras dos defensores acampados na igreja. Um dos resistentes subiu ao campanário da igreja acenando efusivamente. O PV2 continuou depois a sobrevoar Mucaba. A alegria dos heróis era contagiante. Agora tinham já saído da igreja e acenavam para o avião que os havia salvo na hora exacta. O tenente-coronel Neto deu ordens a bordo e as munições e víveres foram lançados. Estava cumprida a missão e salvo os heróis do Mucaba (...)".

  
Jovem branca de 18 anos, violada e assassinada numa fazenda perto de Quitexe. 
O cadáver desnudo com um pau metido na vagina e crianças assassinadas no berço, na fazenda Nunes, nos arredores de Quitexe. 
15 de Março, um "trofeu" para os dirigentes da UPA (fotos Horacio Caio).

"Os ataques não cessavam, cada vez mais bárbaros e mais cruéis. Angola inteira vivia as horas trágicas do Norte, acompanhando a par e passo os acontecimentos. Entretanto em Lisboa, o Governo da Nação, pela voz do seu chefe, tomava as decisões rápidas e drásticas que a situação exigia. Ninguém em Angola esquecerá as palavras do grande Salazar ao anunciar as medidas tomadas e a sua razão: - "para Angola rápidos e em força". Angola não tinha, como tentavam fazer crer lá fora os nossos inimigos, tropas para a defender. A paz em que sempre vivemos não necessitava de tropa. Apenas algumas centenas de soldados, aqueles que por força da obrigação estavam a cumprir o seu tempo normal de serviço militar, constituíam o efectivo da Província. Mas a situação era mais grave que poderia parecer. E Salazar compreendeu-o imediatamente. À sua ordem, começaram a embarcar em Lisboa tropas para a defesa de Angola contra o invasor, contra a sanha assassina. Ele mesmo assumiu a pasta da Defesa para garantir o cumprimentos das suas ordens de defender Angola, custasse o que custasse. Ninguém em Angola esqueceu aquele dia de Abril de 1961, nem as palavras do homem que em toda a sua vida de governante tem dado provas cabais a todo o mundo de que Portugal não é um país qualquer, nascido, como a maioria, de simples interesses financeiros ou ideológicos. Portugal é uma Nação de séculos, a quem a civilização do mundo muito deve. E isso nem todos querem reconhecer (...)".

  
Fazenda Tabi. Os bandidos drogados depois de cortarem a cabeça aos pacíficos trabalhadores bailundos espetaram-nas em estacas (fotos Manuel Graça)


Cabeças de bailundos decepadas (foto Horacio Caio)

"Os terroristas fizeram três assaltos ao Tabi, com mais de três horas de duração. Houve duas mortes e vários feridos da partes dos defensores. Os terroristas sofreram baixas consideráveis, apesar de se terem refugiado na mata, como era seu costume. A tropa ocupava agora a Fazenda Tabi e tomava a seu cargo a sua defesa. Batia as redondezas na caça de bandoleiros. A guerra não deixava momentos para descanso. Tudo cheirava a sangue e a pólvora queimada. Eram os clássicos tiros contra as bárbaras catanadas do bando de facínoras a soldo de estranhos. Era a guerra em toda a sua incompreensão e cegueira. Assassinos narcotizados, obedecendo a ritos estranhos e grotescos, infestavam o Norte de Angola. A repressão ao crime e ao terrorismo exigia um esforço gigantesco, quer humano quer material. Mas tudo se vencia, com sacrifícios inegualáveis e vontades inquebrantáveis (...)".

Referi anteriormente que os radioamadores de Angola em 1961 contribuiram também com o seu esforço para passar informações em tempo útil quando por vezes os sistemas de comunicações por P-19 falhavam. Por isso naquele fatídico ano de 1961, no auge da luta armada para eliminar os bandoleiros do Norte de Angola, nós, os radioamadores de Luanda, fizemos uma reunião e por comum acordo, um de nós ficaria de turno toda a noite na sede da Liga.

Uns meses antes dos acontecimentos de 1961 esteve de visita à Liga um indivíduo que me informou que gostaria de ser radioamador mas que na altura não tinha meios para construir um emissor com pelo menos 50 Watts mas que poderia construir uma mais pequeno para praticar já que tinha adquirido um receptor onde costumava ouvir os radioamadores. Esse indivíduo cujo nome não me recorda era Administrador do Posto de Cangola no Norte de Angola.

Dei-lhe um esquema para fazer um pequeno emissor para a banda de 7Mhz (40m) fixa (com um cristal), autorizada para os radioamadores e que era a que melhor se adaptava para trabalhar dentro de Angola principalmente à noite. A alimentação poderia ser por meio de bateria ou directamente ligado à rede de energia.

Uma noite estava eu de turno fazendo escuta na banda de 7Mhz quando cerca da uma da manhã (?) ouvi uma chamada com um sinal bastante fraco mas que se entendia bem, chamando repetitivamente: CR6LA, aqui Cangola por favor atendam que é uma emergência. Pressenti que algo de grave estava acontecendo em Cangola. Respondi imediatamente e pedi que me dissesse o que estava acontecendo e o que eu poderia fazer. Entretanto lembrei-me do tal indivíduo administrativo a quem lhe tida fornecido o esquema do emissor.

CR6LA, estamos aqui no posto e o P-19 não funciona. Estou a trabalhar com o emissor que eu montei. Estamos cercados pelos turras e não temos munições suficientes. São muitos e como é noite pararam mas amanhã de manhã atacarão certamente. Por amor de Deus vá ao Quartel General e diga para nos mandarem ajuda caso contrário será o nosso fim. Nem queria acreditar no que estava a acontecer e respondi:

- Fique aí atento nessa frequência que eu vou imediatamente ao Quartel General.

Saí fechando a porta e como tinha deixado a minha scooter estacionada junto da Liga dirigi-me a toda a velocidade que a máquina permitia para o Quartel General que ficava na parte alta da cidade e, num ápice estava lá. Tomei a precaução de estacionar um pouco distante da entrada e avancei para a sentinela. Então ouvi logo uma voz perguntando:

- Quem vem lá?

- Sou um radioamador, respondi, acabei mesmo à pouco de receber na Liga dos radioamadores um pedido de socorro do posto administrativo de Cangola por isso, preciso falar já com o oficial de serviço. Mandou-me aproximar de mãos no ar e quando cheguei junto dele voltou a perguntar-me o motivo porque estava ali àquela hora da manhã. Então chamou um sargento ao qual expliquei o que se passava e que precisava falar imediatamente com o oficial de serviço.

- Acompanhe-me por favor. Já na presença do oficial voltei a repetir o mesmo: que era radioamador e estava de turno naquela noite e tinha recebido um pedido de socorro do Posto de Cangola dizendo-me que estavam a ser atacados e as munições estavam no fim. O oficial ficou meio incrédulo mas eu apresentei-lhe imediatamente a minha identificação (cartão) de radioamador.

- Tem a certeza de que não há engano?

- Tenho sim porque ele está a trabalhar com um pequeno emissor dele pois o P-19 avariou.

- Então diga a Cangola que vejam se conseguem aguentar-se até de manhã que nós vamos enviar socorros. Obrigado pelo seu excelente trabalho.

Num ápice estava de volta à Liga, liguei o emissor e chamei Cangola. Respondeu-me imediatamente.

- Já fui ao Quartel General e logo que amanheça vão mandar reforços. De vez em quando eu chamava para ver se tudo estava bem mas disse-lhe que poupasse a bateria que eu estaria sempre na frequência.

Era já madrugada quando ouvi novamente Cangola chamando mas desta vez com uma voz eufórica. CR6LA, os passarinhos (aviões) estão aqui mesmo por cima e estão a dar cabo deles. Obrigado em nome de todos pela sua ajuda que nos salvou a vida.

Esgotado, mas consciente do dever cumprido, fui para casa dormir pois tinha comunicado aos serviços que nessa noite eu ficaria de turno na Liga.

Mais tarde apareceu na Liga o Administrador de Posto de Cangola a quem eu tinha fornecido o esquema do emissor que lhes salvou a vida. Trazia um canhangulo (espingarda artesanal) que pertenceu a um dos turras mortos com uma placa de prata na coronha com a seguinte inscrição: “Com o reconhecimento do povo de Cangola”.

Casos semelhantes aconteceram com outros radioamadores que passaram horas sem fim escutando nos seus receptores as bandas utilizadas pelos P-19.

http://pissarro.home.sapo.pt/memorias6.htm
angola
Himba, Angola.
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angola
Pelicanos da Foz do Cunene, Angola.
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angola
Pungo Andongo, Malanje, Angola.
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angola
Pungo Andongo, Malanje, Angola.
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